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A escrita sempre fez parte da minha vida, desde muito cedo. Estão aí os meus diários de mais de 30 anos para comprovar isso. Também fiz da escrita o meu ofício: sou jornalista. Mas a escrita da alma mesmo, essa só brotou aos quase quarenta anos. Ela invadiu-me e transbordou num momento de crise aguda, em que perdi momentaneamente a minha sanidade ao lidar com crises psicóticas frequentes. Foi graças a elas que as palavras começaram a ganhar novos contornos. De certa forma, foram justamente as crises e a dor que me fizeram escritora de mim. Voltei então, sem perceber, a escrever um diário e dessas linhas tortas nasceu “Olhos fechados, só se for para não tencionar bons ventos”. O livro é uma espécie de carta aberta a mim mesma e aos meus afetos. Dá medo escrever na dor porque o perigo é você se acostumar e atribuir à ela todo o seu processo de criação. Mas não fosse a escrita naquela momento sombrio, eu nem aqui estaria. Disso, eu tenho certeza. Mas foi então que com o passar dos meses e com a chegada de um amor arrebatador as palavras tomaram outra direção. Elas agora me traziam cores, cheiros e sabores. Escorriam. Puro deleite. Queriam falar de desejo, de amor e de angústias também, por que não? Brotaram, desta vez, da vida pulsante. Do que tenho de mais instintivo e primitivo. Assim, nasceu “Crônicas de um amor desmedido”, meu segundo livro, em menos de um ano. Percebo que a escrita está em mim, em todas as minhas nuances. Faz parte do meu eu mais profundo, traz à tona o tudo ou nada de mim. Me convoca à vida.
Afinal, quem sou eu?
Explorando novos caminhos, aos 40 anos mergulhei na escrita e na psicanálise. Em 2025, lancei 'Olhos fechados, só se for para intencionar bons ventos' e 'Crônicas de um amor desmedido'. Minha arte está presente nas plataformas digitais 'Com afeto' e 'Onírico: imagens do inconsciente'.

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